sábado 28 e domingo 29 de outubro de 2017

Ponto de Partida e Meninos de Araçuaí

Ponto de Partida e Meninos de Araçuaí

Foto: Eduardo Lopes

Para dar início às comemorações dos 20 anos do coro Meninos de Araçuaí, o grupo de teatro mineiro Ponto de Partida sobe ao palco do Auditório Ibirapuera, acompanhado por 27 jovens cantores do coro, para apresentar o espetáculo musical Roda que Rola – o primeiro da parceria entre ambos e fruto de um CD de mesmo nome.

Roda que Rola conta a história de uma poesia que se perdeu. Repolho, um palhaço muito esquecido, inventava uma canção quando, de repente, surge Corina, vestida de anjo, e lhe dá um susto! O coração dele dispara, a poesia cai e se despedaça. Os dois saem, então, pelo Vale do Jequitinhonha à procura dos pedaços, das palavras, dos cheiros, das cores, dos sons, dos ritmos e das sensações que compõem a poesia. Durante a andança, a dupla se torna amiga de gnomos encantados, de duas guardiãs de histórias, cantigas e lembranças e dos Meninos de Araçuaí – que dividem com eles seu canto e seus sonhos.

A montagem é entremeada pelo repertório do CD Roda que Rola, que mistura obras de grandes compositores brasileiros – como Chico Buarque e Edu Lobo, Dorival Caymmi, Gilberto Gil, Fernando Brant e Gilvan de Oliveira e Heitor Villa-Lobos – com uma profunda pesquisa do cancioneiro do Vale do Jequitinhonha e composições próprias do grupo.

Segundo Regina Bertola, diretora do Ponto de Partida, o espetáculo é muito emblemático. “Ele foi o princípio de tudo, onde a roda começou a girar. Foi o que abriu o nosso trabalho com o Meninos de Araçuaí, há quase 20 anos”, conta. “Traz muito esse retorno à infância, mas não para permanecer em um tempo passado. A ideia é ‘pegar o trem e ir embora’.”

O grupo de teatro, que nasceu em Barbacena (MG) há 37 anos, focado na cultura brasileira e com o propósito de ser uma companhia de repertório, itinerante e independente, criou o coro Meninos de Araçuaí e assumiu a sua direção artística em 1998. O projeto, patrocinado pela Natura, surgiu de uma parceria com a ONG Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD) – do educador Tião Rocha – como ação complementar do trabalho educacional do Projeto Ser Criança, mantido no Vale do Jequitinhonha.

“Foram cerca de nove meses viajando 15 horas pela estrada, de Barbacena até Araçuaí [também em Minas Gerais], para preparar esses meninos e essas meninas como se fossem um coro profissional para o Roda que Rola – mas sempre de forma lúdica e prazerosa”, conta Regina. “Gravamos o CD, que foi escolhido, tempos depois, como um dos dez discos que não podem faltar na vida de nossos filhos, ao lado das obras Os Saltimbancos (1977) e Arca de Noé (1980), e resolvemos fazer três apresentações do espetáculo (em Araçuaí, Barbacena e Belo Horizonte) para mostrar o resultado desse trabalho e agradecer àqueles que contribuíram no projeto.”

A repercussão positiva das apresentações foi tão grande que na época o Ponto de Partida recebeu o apoio de uma empresa de telefonia para dar prosseguimento ao trabalho desenvolvido com o coro e itinerar com o espetáculo pelo Brasil (e pelo mundo, já que chegou a ser apresentado também na França) ao lado dos melhores grupos de Minas Gerais. “Nós nunca mais nos desligamos deles”, diz Regina. “São várias gerações que permanecem no Ponto de Partida ou ligadas ao CPCD, passando o que aprenderam e conquistaram para os mais novos, como uma herança. É emocionante. A cidade de Araçuaí se transformou com a atuação do coro.”

A diretora do grupo acrescenta que, duas décadas de parceria depois, o melhor é perceber que o trabalho do Ponto de Partida com o Meninos de Araçuaí continua divertido. “Ele é sério, tem compromisso com os processos, demanda resultado. Mas, apesar de todas as dificuldades, continua lúdico e nos emocionando muito”, conta. “Porque o grande perigo de um grupo com 37 anos de trajetória é ficar burocrático, reprisando os caminhos que sabe que vão levá-lo ao sucesso e que são mais fáceis. O Manoel de Barros dizia que é nos atalhos que você encontra os araticuns mais maduros. Então, é melhor ir por eles mesmo. É assim que vamos seguindo.”

Ainda de acordo com Regina, ninguém muda o mundo de fora para dentro, mas de dentro para fora. “O que constrói a sua alma e a sua têmpera é o exercício da arte, que é absolutamente transformadora e revolucionária”, diz ela. “Neste momento que o Brasil e o mundo estão atravessando, em que temos medo e nos perguntamos para onde foram os nossos princípios éticos e o que vamos deixar de legado para os nossos filhos, Roda que Rola é um raio de luz; é um fruto suculento. É a prova concreta de que o caminho deve ser luminoso e de que cada um de nós tem um compromisso com as nossas crianças, com a nossa infância e com todas as infâncias do mundo.”

A apresentação conta com interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Compre aqui o seu ingresso.

 

 

  • Dia:

    sábado 28 e domingo 29 de outubro de 2017

  • Horários:

    às 17h

  • Duração:

    70 minutos (aproximadamente)

  • Ingressos:

    R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

  • Classificação Indicativa:

    livre para todos os públicos

  • bilheteria

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