domingo 6 de maio de 2018

Orquestra Paulistana de Viola Caipira

Orquestra Paulistana de Viola Caipira

Foto: Kel Kommim

A Orquestra Paulistana de Viola Caipira (OPVC) – composta para esta apresentação de 42 instrumentistas e 6 cantores – sobe ao palco do Auditório Ibirapuera, sob a regência de Rui Torneze, com o espetáculo Orquestra Paulistana de Viola Caipira – 20 Anos.

Durante o concerto, o grupo musical interpreta composições da música brasileira e internacional, ora com acompanhamento vocal, ora com formação apenas instrumental, como “Majestade o Sabiá” (Roberta Miranda), “Trem Bala” (Ana Vilela), “Libertango” (Astor Piazzolla), “Dust in the Wind” (Kansas) e “Billie Jean” (Michael Jackson).

“A característica da orquestra é trabalhar com repertório para formação de público. Tocamos para todos, independentemente de a pessoa conhecer a viola caipira e gostar de música caipira”, conta o maestro Torneze. “Vamos da música de raiz à erudita, passando por quase todos os gêneros. É comum pegarmos a introdução de uma peça erudita ou new age, fazermos uma junção e entrarmos na música caipira tradicional. Em ‘Billie Jean’, por exemplo, nós introduzimos a peça ‘Caminheiro’ (Jack), que faz parte do repertório caipira. Tocamos do modo mais fiel possível, com todas as nuances da música. E o barato é que isso é feito na viola. Vamos brindando o público com essas brincadeiras.”

Dividida em seis naipes de atuação [violas 1, 2, 3 e 4, violona (que soa uma oitava mais grave) e viola-base (acompanhamento harmônico)], além de naipe vocal, percussão e bateria, a OPVC atua como se fosse uma orquestra sinfônica, sendo esse o seu grande diferencial com relação às demais agremiações de viola existentes. Formado por instrumentistas cuja idade varia de 15 a 76 anos – que mantêm originalmente outras profissões, mas estudam ou já se formaram na sede da orquestra (localizada na Penha, na zona leste de São Paulo) –, o grupo tem quase metade de seu quadro composto de mulheres.

“No começo, eram poucas as mulheres. Atualmente, elas ocupam cerca de 50% das posições. O número foi aumentando justamente por causa da democratização do repertório e da nossa abordagem”, diz Torneze. “Vale lembrar que a música específica de viola é masculina. Isso porque ela fala da lida do gado, da lavoura, que são universos mais masculinos. Se você perguntar para qualquer pessoa do meio caipira se ela conhece alguma música cujo “eu” é feminino, vai ser difícil lembrar. Eu mesmo conheço uma, chamada ‘Cabelo de Trança’ (Tonico e Zé Paióça). Por isso nós buscamos formar um novo público para a viola.”

Sobre a viola de dez cordas

“A viola caipira descende do alaúde, instrumento árabe que chega com as invasões mouras na Península Ibérica (que compreende Espanha e Portugal). Lá, o alaúde é transformado na vihuela (ou viola), cuja característica é a corda dupla. Por aqui, a viola aparece em 1530, com a primeira expedição de fixação, junto com os jesuítas. Esse instrumento foi um dos primeiros a ser difundidos no território nacional”, explica Torneze. “Cada conjunto de cordas da viola é chamado de ordem. Ou seja, é um instrumento de cinco ordens, porém duplas. Ela é mais aguda que o violão.”

O maestro acrescenta que a afinação da viola caipira é chamada de cebolão. “Essa afinação tradicional (mi, si, sol sustenido, mi, si) veio de Portugal e é a mesma que nós usamos na orquestra”, diz ele. “A história conta que esse nome foi dado à afinação porque, quando você bate a mão na viola solta, o som é tão bonito que as pessoas choram de emoção como se estivessem descascando cebola. O timbre da viola caipira é choroso, melancólico. É especial.”

 

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  • Dia:

    domingo 6 de maio de 2018

  • Horários:

    às 19h

  • Duração:

    120 minutos (aproximadamente)

  • Ingressos:

    R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)

  • Classificação Indicativa:

    livre para todos os públicos

  • bilheteria

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