sábado 16 de junho de 2018

Música no Foyer | Hercules Gomes

Música no Foyer | Hercules Gomes

Foto: Riba Dantas

O pianista e compositor Hercules Gomes se apresenta no foyer do Auditório Ibirapuera com o espetáculo solo No Tempo da Chiquinha, homônimo ao segundo disco de sua carreira, lançado em abril deste ano. O trabalho é uma homenagem à pianista, maestrina e compositora Chiquinha Gonzaga e tem repertório formado por obras da artista e por composições dedicadas a ela, todas com novos arranjos.

“A Chiquinha estaria hoje com 170 anos”, fala Hercules. “Vou apresentar músicas famosas e algumas composições pouco conhecidas dela, como a polca ‘Cintilante’ e a valsa ‘Walkyria’ – inédita em gravação –, além de outros choros relacionados com o gênero que ela tocava e com a época em que ela compunha, caso da faixa-título, ‘No Tempo da Chiquinha’, de Laércio de Freitas.”

Hercules acrescenta que a ideia do disco surgiu depois de ele ter sido convidado para gravar um vídeo, no ano passado, para o site chiquinhagonzaga.com, por ocasião das comemorações dos 170 anos da artista. “Eu já conhecia os pesquisadores e os pianistas que cuidam desse site, em que está disponibilizada para download gratuito toda a obra já catalogada da Chiquinha”, conta o pianista. “Eles me convidaram para fazer esse vídeo, gostei do resultado e, a partir daí, resolvi gravar outras músicas. Durante o trabalho de pesquisa para o disco, descobri coisas lindas da obra e da vida dela que eu não conhecia. Foi uma experiência incrível.”

Entre as composições poucos conhecidas de Chiquinha Gonzaga que fazem parte do repertório do álbum está a polca “Cintilante”. Hercules conta que tomou conhecimento da música recentemente, com a ajuda do pesquisador Alexandre Dias. A partitura da obra estava desaparecida, o que acarretou um desafio para o pianista e compositor.

“Existem algumas músicas da Chiquinha que os pesquisadores catalogaram. Só que as partituras desapareceram, e uma delas é a ‘Cintilante’. Mas os pesquisadores encontraram um manuscrito de um flautista da época – chamado capitão Jupyaçara – que, apesar de não trazer o título da obra, dizia que o gênero era polca e a compositora Chiquinha Gonzaga. Por meio da pesquisa de Alexandre Dias e do caráter da melodia desse manuscrito, chegou-se à conclusão de que era mesmo a polca ‘Cintilante’. Então, acabou acontecendo um resgate dessa música”, diz Hercules. “O meu desafio foi pegar esse manuscrito, que continha apenas a melodia para a música, fazer a harmonia, o arranjo e ainda a adaptação para o piano.”

Outro registro interessante presente no álbum é o do áudio da voz e do piano solo de Chiquinha Gonzaga extraído de um exemplar único de um disco de 78 rotações, encontrado pelo colecionador Gilberto Gonçalves anos atrás, e que se tornou público em 2015, com a ajuda do Instituto Moreira Salles. Em No Tempo da Chiquinha, Hercules mesclou o registro da artista com o som do seu piano na faixa “Argentina”.

Segundo ele, Chiquinha Gonzaga faz parte de uma linhagem de pianistas – ao lado de nomes como Ernesto Nazareth, Aurélio Cavalcanti, Oswaldo Cardoso de Menezes, Tia Amélia, Carolina Cardoso de Menezes, Radamés Gnattali e Chirol – chamados carinhosamente de “pianeiros brasileiros”, que tocavam com maestria o choro ao piano, vertente pouco seguida nos dias de hoje, mas que Hercules pretende resgatar com No Tempo da Chiquinha, entre outros trabalhos que estão por vir.

“Esses pianistas, que representam uma das vertentes mais valiosas do piano brasileiro, compunham polcas, valsas, choros e trabalhavam, principalmente, animando bailes, já que o piano tinha um papel quase sociológico na época. Não existia rádio, toca-discos. Para ouvir música, era preciso ir aos bailes, aos concertos, aos teatros”, explica o artista. “Por isso, considero o Laércio de Freitas muito importante. Ele faz parte de uma das extremidades dessa espinha dorsal do piano brasileiro. Desse piano que começa na época da Chiquinha e chega aos dias de hoje. O Laércio é um dos maiores expoentes dessa forma de tocar, desse ‘pianeirismo brasileiro’. Tem uma questão até simbólica de eu ter gravado a faixa-título que ele fez em homenagem à Chiquinha”, diz. “Meu sonho é gravar um disco em homenagem a cada um desses ‘pianeiros’. No total, são mais de 20. Mas eu chego lá.”

  • Dia:

    sábado 16 de junho de 2018

  • Horários:

    às 21h

  • Duração:

    75 minutos (aproximadamente)

  • Ingressos:

    Gratuito. Entrada por ordem de chegada ao foyer do Auditório Ibirapuera.

  • Classificação Indicativa:

    livre para todos os públicos

  • bilheteria

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