sexta 22 de junho de 2018

Música no Foyer | Coro da Escola do Auditório

Música no Foyer | Coro da Escola do Auditório

Foto: Mujica Saldanha

Na sexta-feira 22 de junho, às 21h, o Coro da Escola do Auditório – formado por 14 alunos do curso de canto popular – se apresenta no foyer da casa com o espetáculo Chama Negra, sob regência e direção musical de Daniel Reginato, assistência de regência de Aninha Ferrini (técnica vocal), Wilson Alves (arranjos) e Everton Dantas (elaboração cênica), e acompanhamento musical de Pedro Teixeira (percussão).

Dividido em três partes – Singularidade, ResiliênciaForça e Metáforas dos Legados Culturais –, nas quais os integrantes do coro se apresentam em diferentes formações e realizando algumas performances, Chama Negra faz um mergulho em nossas raízes culturais a partir das canções de importantes compositores negros e compositoras negras presentes na música popular brasileira, como Dona Ivone Lara, Juçara Marçal, Moacir Santos, Cartola, Pixinguinha e Tiganá Santana.

Segundo Daniel Reginato, a escolha do repertório surgiu de um trabalho de pesquisa feito com os integrantes do coro para levantar, na vasta bibliografia musical existente, compositores negros e compositoras negras que tivessem suas obras marcadas pela reverência à ancestralidade, pelas origens africanas e/ou por alguma característica específica negra. O regente acrescenta que, durante esse processo, se deparou com um livro que o ajudou a compreender como melhor abordar essas questões e ainda na escolha do nome do espetáculo.

“Encontrei um livro intitulado Coisa de Preto – o Som e a Cor do Choro e do Samba, da sambista e escritora Marilia Trindade Barbosa, que chamou muito minha atenção. Ele fala de raiz, do que seria essa essência trazida pela cultura africana. O mais interessante é que a autora abre a obra explicando o motivo pelo qual escolheu esse título. Para ela, fazia sentido identificar algo que não conseguia ser resumido em um senso. E, por ser negra, o termo ‘coisa de preto’ não tinha uma conotação hostilizada, pejorativa, negativa”, explica Daniel. “Nessa discussão com o coro, procuramos então compositores negros e compositoras negras que tivessem alguma característica específica negra, essa ‘coisa de preto’, essa reverência à ancestralidade e às origens africanas, que tivessem em suas obras algum objeto artístico que fizesse referência a essa essência.”

Além de composições como “Mama Kalunga”, “Olhos Coloridos”, “Benguelê”, “Força da Imaginação” e “Maracatu, Nação de Amor (April Child)”, os cantores interpretam um trecho de um negro spiritual (gênero musical que apareceu nos Estados Unidos, inicialmente interpretado por pessoas escravizadas). O regente explica que esse momento especial da apresentação destaca a importância do tema resistência e de como ele segue expresso na arte, e ainda traz ao público um pouco da vivência que o Coro da Escola do Auditório obteve como grupo, em maio deste ano, ao participar do V Festival Sampa Circlesongs (Cantos Circulares), realizado em São Paulo, com a participação do regente, compositor e cantor norte-americano Joey Blake, que cantou com os jovens coralistas alguns spirituals durante o encontro.

“Nós tivemos um intercâmbio com o Joey Blake (que trabalha com o Bobby McFerrin) que foi muito forte para os alunos. Na ocasião, cantamos músicas das igrejas protestantes norte-americanas, que têm uma sonoridade soul incrível e tratam dessa questão da natureza deles, do negro spiritual, canções que são, na verdade, trechos da Bíblia que falam da esperança de dias melhores e que as pessoas negras escravizadas cantavam enquanto construíam as ferrovias na costa norte-americana”, conta Daniel. “Achamos que esse seria um bom link para falar sobre resistência e vamos cantar um trecho de uma dessas canções – ‘Woe to Those’. Apresentar isso em um espetáculo de música brasileira é, realmente, trazer à tona esse tema tão importante e se conectar ainda mais com ele.”

Repertório

“O Sol Nascerá” (Cartola/Elton Medeiros)
Arranjo: Daniel Reginato

“Mama Kalunga” (Tiganá Santana)
Arranjo: Wilson Alves

“Benguelê” (Pixinguinha/Gastão Vianna)
Arranjo: Wilson Alves

“Olhos Coloridos” (Macau)
Arranjo: Jeniffer Militão/Gabi Capassi

“Canto para Aurora” (Chico Saraiva/Juçara Marçal)
Arranjo: Wilson Alves

“Alvorada” (Cartola/Hermínio Bello de Carvalho)
Arranjo: Paulo Malaguti

“Lágrimas do Sul” (Marco Antonio Bernardo/Milton Nascimento)
Arranjo: Wilson Alves

“Maracatu, Nação de Amor (April Child)” (Moacir Santos)
Arranjo: Wilson Alves

“Louva-a-Deus” (Milton Nascimento/Fernando Brant)
Arranjo: Daniel Reginato

“Rosa” (Pixinguinha/Otávio de Souza)
Arranjo: Daniel Reginato

“Força da Imaginação” (Dona Ivone Lara/Caetano Veloso)
Arranjo: Wilson Alves

A apresentação conta com interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

 

  • Dia:

    sexta 22 de junho de 2018

  • Horários:

    às 21h | Abertura da casa: 90 minutos antes do espetáculo

  • Duração:

    80 minutos (aproximadamente)

  • Ingressos:

    Gratuito. Entrada por ordem de chegada ao foyer do Auditório Ibirapuera.

  • Classificação Indicativa:

    livre para todos os públicos

  • bilheteria

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