sexta 27 de julho de 2018

Ava Rocha

Ava Rocha

Foto: Ana Alexandrino

“Desde pequena, sempre cantei, a vida toda”: é assim, com uma sucintez firme, que Ava Rocha posiciona a voz esmiuçada em sua existência. Canto e vida em fusão perpétua. Compôs e muito, fincou pé nas trilhas sonoras de cinema, criou mais, até estrear, em 2006, profissionalmente, ao lado de Zé Celso Martinez Corrêa, na montagem de Os Sertões do Teatro Oficina. Dois anos à frente, começou a trabalhar no que veio a ser Diurno (2011), seu primeiro álbum. Ava Patrya Yndia Yracema (2015), sentença que também está em sua carteira de identidade, batiza o segundo CD. Agora, surge Trança (2018), a obra mais recente, realizada com o apoio do projeto Natura Musical.

Para celebrar o lançamento, a artista faz show no Auditório Ibirapuera, cujo marco não se dá apenas devido ao novo título: “Completo uma década de discos e shows”, frisa. E, como o terreno aqui é daquilo que se entremeia, um motivo se une ao outro em prol do festejo.

Caudaloso, longo rio
Quantos significados cabem em uma palavra? Tantos quanto os que pode carregar uma pessoa. Água que se encorpa, engrossa, aumenta. Trança é desse modo, termo que possui a forma de muitas formas – das quais várias vão ao encontro de Ava. O conceito primal de entrelaçamento, ideia antecessora, arcaica. A tessitura de cabelos, fios a crescer contínuos. Expressão que sugere um caleidoscópio verbal: trans, transa, transe, transcendência, transfiguração. Feminino e masculino ao mesmo tempo. Dezenove canções que constituem um caudaloso, longo rio. “Trata-se de um nome que se impõe de um jeito verdadeiro, simbólico, forte”, comenta a cantora.

Nos dias de criação do álbum atual, Ava reuniu afetos inúmeros. Inspirou-se e sorveu tudo, todos: as raízes, os pais (a artista plástica Paula Gaitán e o cineasta Glauber Rocha), a filha, os parceiros (por exemplo, Negro Leo, Dinho Almeida, Iara Rennó, Bruno di Lullo e Tazio Zambi), a realidade e a beleza do Brasil. O passado, o presente, o futuro próximos. “Busquei me debruçar sobre vários aspectos: políticos, poéticos, amorosos, oníricos”, conta.

Em um processo não linear, um pouco em São Paulo, outro pouco no Rio de Janeiro, a cantora, munida de seus alentos, construiu um CD alicerçado no coletivo: de encontro em encontro, elaborou a sua Pangeia (título, aliás, de uma das faixas), um trançado de sujeitos. Ramo farto de colaborações, os elos se fizeram de maneira orgânica: “Lilith”, uma evocação a Jorge Ben Jor, versão feminina de “Charles, Anjo 45”, surge do desejo longamente guardado de Ava de se unir a Tulipa e Gustavo Ruiz; “Maré Erê” nasceu no palco, depois de trocas com Pedro Paulo Rocha, seu irmão; já os versos de “Joana Dark” apareceram em um triz, de repente.

Ao se voltar para a tríade que concebeu, Ava completa, enfim, o seu punhado de acepções, vasta trança: “São discos de momentos diferentes, mergulhados em contextos próprios, em singularidades próprias. Porém, sinto que eles são irmãos: cruzam política com poesia, investigam a linguagem, não têm compromisso com uma sonoridade de mercado. Há experimentação e liberdade estética”, analisa. A verdade, a bem dizer, é que não existe um curso sem brecha: banhado de movimento, Trança possibilita outros sentidos mais, de acordo com o ouvido-coração que o retiver.

Que haja energia
Boa, amiga, intensa, em grupo. Ava Rocha perscruta essa pujança no compor e na performance, posto que o lado espiritual é, no cerne, ela inteira. Na rotina, igual às refeições, impõe-se o fascínio pelo criar, elemento vital este de pôr ideias no mundo. Escrever letra, elaborar melodia. Improviso ou não, depende do desafio. Quando se entrega ao canto, além do sumo autoral, mantém a alma como amparo: “Ser intérprete, para mim, é muito importante e valioso. Dar voz ao que merece ser vivenciado, revivido”, salienta.

No espetáculo novo, com o palco a ser um terreno-tela fílmico, energia e espírito são par: “São Paulo é uma cidade onde me sinto abraçada. Por isso a escolha. O show não estará quente de uma turnê prévia, mas estará quente de emoção, de alegria imensa”, garante Ava, já mexida.

 

A apresentação conta com interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Os ingressos podem ser adquiridos pelo site Ingresso Rápido, em seus pontos de venda e pelo telefone 11 4003 1212 a partir do dia 13 de julho.
Compre aqui o seu ingresso.

Na bilheteria do Auditório Ibirapuera, os ingressos podem ser adquiridos a partir do dia 20 de julho, em horário especial:
sexta, sábado e domingo, das 13h às 20h

A partir do dia 27 de julho, a bilheteria volta a funcionar em seu horário padrão:
sexta e sábado, das 13h às 22h

domingo, das 13h às 20h

 

  • Dia:

    sexta 27 de julho de 2018

  • Horários:

    às 21h | Abertura da casa: 90 minutos antes do espetáculo

  • Duração:

    90 minutos (aproximadamente)

  • Ingressos:

    R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)

  • Classificação Indicativa:

    12 anos

  • bilheteria

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