"ENCONTROS INSTRUMENTAIS" NO AUDITÓRIO IBIRAPUERA
Selo Kalamata lança três CDs de música instrumental brasileira
O Auditório Ibirapuera abre suas portas para o espetáculo "Encontros Instrumentais", que vai reunir três apresentações exclusivas de alguns dos mais respeitados músicos da cena instrumental brasileira contemporânea.
Sobem ao palco "Mané Silveira Quinteto", grupo do renomado saxofonista homônimo, para lançar CD do mesmo nome, o inusitado duo de cravo e viola brasileira - a famosa "viola caipira"-, duo formado pela cravista Patrícia Gatti e pelo violeiro Ricardo Matsuda, lançando "Contos Instrumentais" e o premiado violeiro e pesquisador Ivan Vilela, que vai lançar o CD "Do corpo à raiz".
"Contos Instrumentais", Patrícia Gatti e Ricardo Matsuda
O show do duo formado pela cravista Patrícia Gatti e pelo violeiro Ricardo Matsuda traz a união inusitada de dois instrumentos bem diferentes, mas com muito em comum: o cravo típico da música erudita e a viola brasileira. São cordas pinçadas (o cravo) e cordas dedilhadas (a viola).
O duo é formado por dois expoentes desses instrumentos: a cravista Patrícia Gatti, que vem resgatando - e atualizando! - a linguagem do cravo no Brasil, e o violeiro Ricardo Matsuda, um dos mais atuantes da música instrumental brasileira e que assina todas as composições desse CD.
O trabalho é fruto do projeto de mesmo nome - "Contos Instrumentais" - que foi selecionado pelo edital do Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FICC), da prefeitura local, para circular por quatro pontos culturais da cidade com apresentações e oficinas musicais gratuitas e abertas ao público.
"Do Corpo à Raiz", do violeiro Ivan Vilela
O show vai mostrar o novo trabalho do premiado violeiro, professor e pesquisador Ivan Vilela que, entre outras coisas, já tocou na Espanha, França, Inglaterra, Itália e Portugal, é diretor e arranjador da Orquestra Filarmônica de Violas e professor da Universidade de São Paulo (USP).
Nesse CD, Ivan mostra a trilha sonora elaborada para o ballet da "Cia. Dança Vida", que mescla cultura tradicional com modernidade. A maioria das faixas é composta pelo próprio violeiro, mas há também participações especiais de Anderson Baptista e Jehovah Amaral.
Vilela é um dos mais atuantes educadores da música genuinamente brasileira. Exemplo disso é seu trabalho como idealizador da ONG Núcleo da Cultura Caipira e responsável pelo projeto de criação de um curso superior de música que utiliza uma metodologia brasileira de ensino - proposta inédita no Brasil, concebida a pedido da Universidade de Taubaté.
Trabalha como pesquisador há vinte anos, enfocando manifestações da cultura popular em Minas Gerais e interior de São Paulo. Já compôs, por exemplo, a Ópera Caipira Cheiro de Mato e de Chão, a partir do libreto de Jehovah Amaral.
"Mané Silveira Quinteto", com Mané Silveira e quinteto
No show, o irrequieto saxofonista traz um toque inusitado: um quinteto que mistura piano (Tiago Costa, que traz no currículo Maria Rita e Bocato), viola caipira e violão (com Ricardo Matsuda, ex-integrante do Grupo Anima), além do contrabaixo acústico (de José Alexandre Carvalho, do grupo Havana Brasil) e bateria (de Cleber Almeida, que já tocou até com o mago Hermeto Pascoal).
Trata-se de um músico que, desde a década de 80, constrói uma das mais sólidas carreiras desse popular instrumento, o sax. Tanto na música nacional - pois já trabalhou com artistas como Arrigo Barnabé, Johnny Alf, Nelson Ayres, Roberto Sion, Eduardo Gudin, Naná Vasconcelos, Grupo Pau Brasil, Dori Caimmy, Guinga, Chico Saraiva, Raul de Souza, entre muitos outros - como na carreira internacional, em apresentações com o compositor japonês Seigen Ono nos festivais de Montreux, na Suíça, no Time Zones, na Itália, e no Pori Jazz Festival, na Finlândia.
Em julho de 2009 tocou com o pianista dinamarquês Thomas Clausen, um dos expoentes do jazz de seu país, no Copenhagen Jazz Festival e em mais quatro cidades da região.