Qual é o foco da análise de Kant sobre a estética?

Perguntado por: dcoutinho . Última atualização: 17 de maio de 2023
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Para Kant, a vivência estética é propriamente a vivência de um indivíduo, é uma vivência radicalmente subjectiva. E isto quer dizer que nela não se tem em vista nada que contribua para o conhecimento do objecto enquanto tal.

A beleza e o juízo estético são afirmados em sua plena autonomia tanto em relação ao conhecimento quanto em relação à prática, à moral. Como o belo satisfaz sem nenhum interesse, ele é distinto do agradável de um lado e do bom de outro, que são vinculados com interesses e se referem à faculdade de desejar.

"Universalidade estética" é o conceito-chave com base no qual a terceira Crítica, que já havia afrontado as estéticas racionalistas com a tese da não-conceptualidade do juízo de gosto, rechaça, no outro flanco, o ceticismo estético dos defensores de um gosto privado e incomunicável.

Só é possível, segundo Kant, denominar arte a produção realizada de forma livre e racional. Mesmo que se realizem “obras” na natureza, como o exemplo das abelhas que constroem suas colmeias, como se parecessem obra de arte, tais seres, contudo, não o fazem de maneira racional e livre (KANT, 1995).

O objeto estético é a obra de arte percebida como obra de arte, ou seja, aquela que recebe a percepção merecida e que se cumpre na consciência dócil do espectador30.

De fato, Kant afirma na Estética Transcendental que o espaço e tempo podem ser determinados quanto ao seu sentido e que tais sentidos são opostos para ambos. Com efeito, o espaço tem sentido externo e o tempo tem sentido interno.

Trata-se de um “prazer desinteressado”. Isto significa que o sujeito que faz um julgamento estético sobre um objeto não tem nenhuma necessidade de possuir ou consumir esse objeto, ou seja, o objeto não desperta qualquer desejo no sujeito que o contempla.

As principais características da estética na filosofia é que ela busca interpretar a apreciação da beleza, onde ela relaciona os aspectos da experiência subjetiva com elementos naturais e artificiais do belo.

Porque a reflexão é o nome que porta na filosofia crítica a possibilidade desta filosofia. [...] isto é, a legitimidade, de um juízo sintético a priori[...]” (Lyotard, 1993, p. 35).

A estética é a área da filosofia que investiga, fundamentalmente, sobre a arte e o conceito do belo. A palavra “estética” vem do grego aisthesis, que significa – dentre outras coisas – “faculdade de sentir” ou “compreensão pelos sentidos”.

O prazer estético é, assim, desinteressado, isto é, não sugere a posse do objecto e nem mesmo a sua existência, bastando a sua simples representação. E, ao contrário, o agradável implica o interesse, porque cria uma tendência, do mesmo modo que o bom é igualmente interessado, mas no seu caso através do conceito 9.

9 Assim, diz Kant (§5, p. 54), “o agradável chama-se para alguém aquilo que o deleita; o belo aquilo que meramente o apraz; bom aquilo que é estimado, aprovado, isto é, onde é posto por ele um valor objetivo”.

Desta forma o juízo de gosto pode ser: ou um juízo singular e empírico, visto que “expressa no indivíduo que julga a conformidade a fins subjetiva de uma representação empírica da forma de um objeto”; ou então um juízo universal e totalmente a priori que almeja à necessária validade universal (Cf. KANT, Immanuel.

Juízo de valor, por sua vez, trata da avaliação criada a partir dos nossos gostos e percepções individuais. Por isso, pode resultar numa avaliação pejorativa e ter por base fatores culturais, sentimentais e ideológicos.

Dessa forma, segundo Kant, a autêntica obra de arte tem que parecer como se fosse obra da natureza, ou seja, a perfeição da natureza deve se apresentar na obra sem que pareça que foi realizada com esforço intencional do artista, mediante regras do fazer artístico.

Segundo Kant, uma obra de arte análoga a um objeto belo natural é aquela que se mostra de maneira espontânea, ou seja, cuja forma é de tal maneira que não pode ser reduzida a uma determinação conceitual que a esgotasse.

Immanuel Kant foi um filósofo criticista, onde sua produção deu-se através do estudo da epistemologia, e defendia a ideia de que a produção intelectual, leis, e do conhecimento, seria possível através do uso da razão e da experiência.