Por que os jovens de hoje se sentem tão solitários?

Perguntado por: osalgueiro2 . Última atualização: 19 de maio de 2023
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Adolescentes estão mais solitários por causa dos smartphones, sugere estudo. Pesquisa norte-americana analisou dados de 60 mil adolescentes e comparou com resultados coletados há 20 anos ...

Um relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), no último mês, serve de alerta para pais e responsáveis por adolescentes e pré-adolescentes. Conforme o documento, a depressão é a doença que mais afeta, em todo o mundo, jovens na faixa etária de 10 a 19 anos.

Os adolescentes são mais influenciáveis pelas pressões sociais porque, ao mesmo tempo que estão se descobrindo, eles estão tentando se encaixar no mundo. Por tudo isso, é essencial que os adolescentes alcancem o equilíbrio entre serem eles mesmos e se adaptarem ao ambiente.

Problemas emocionais como ansiedade, depressão, abuso de álcool e drogas, automutilação, violência doméstica, sexualidade pronunciada e falta de limites vieram ainda mais à tona.

Mas existem muitos outros assuntos que os jovens atuais mais procuram ou desejam comentar, como é o caso da sexualidade, drogas e bebidas alcoólicas, exposição na internet, gestão financeira e até mesmo tópicos que envolvem a sua religião, como tipos de religiosidade, palavras de Deus e outros.

Solidão é o sentimento que surge quando nos sentimos só, mas não precisamos estar literalmente sem a companhia de outros para senti-la. Ela se manifesta até mesmo quando estamos rodeados de pessoas queridas, em ambientes movimentados e enquanto realizamos afazeres diários.

Mas há outros impactos igualmente penosos, como uma maior propensão para doenças físicas, como hipertensão, doenças cardíacas, obesidade, sistema imunitário enfraquecido, ansiedade, depressão, declínio cognitivo, doença de Alzheimer e até a morte, revela o Instituto Nacional de Envelhecimento dos Estados Unidos.

Uma das explicações pode ser resultado da evolução humana: as pessoas mais inteligentes podem ter se adaptado mais facilmente a um mundo moderno, em que fazer parte de um grupo em troca de alimento, abrigo e proteção não é mais necessário. Outra teoria envolve o lado aspiracional.

Alguns fatores que se destacam são os sentimentos de tristeza, desesperança e a depressão, ansiedade, baixa autoestima, experiências adversas pregressas, como abusos físicos e sexuais pelos pais ou outras pessoas próximas, falta de amigos e suporte de parentes, exposição à violência e discriminação no ambiente escolar ...

Há muitos fatores que podem causar ansiedade nessa faixa etária. As preocupações características da adolescência, como a aparência, decepção amorosa, popularidade, futuro profissional, autoestima, namoro e identidade, podem ser a causa da ansiedade constante.

A pré-adolescência é indicada por muitos pais como o período mais difícil no relacionamento com os filhos. Apesar de ser um período desafiador para ambos, é essencial criar laços afetivos nesse momento para que os jovens encontrem nos pais a ajuda e conselhos necessários em uma fase de tantas descobertas.

50% dos jovens se consideram mais “rolezeiros”, ou seja, preferem exercer atividades fora de casa. Somados com os 38%, que consideram gostar igualmente de ficar em casa e de sair, o total é de 88% de jovens que pautam as suas relações diárias em atividades externas. Apenas 11% preferem passar o seu tempo em casa.

Na sociedade moderna, embora haja variação dos limites de idade, a juventude é compreendida como um tempo de construção de identidades e de definição de projetos de futuro. Por isto mesmo, de maneira geral, a juventude é a fase da vida mais marcada por ambivalências.

“O desenvolvimento desses jovens, com menos mecanismos para lidar com frustrações e adversidades (menor resiliência) e dificuldades em adiar o prazer (imediatismo) podem também ser fatores sociais que influenciam no desencadeamento de quadros mentais que têm contribuído com o aumento do suicídio”, informa o boletim.

Oito a cada dez brasileiros de 15 a 29 anos apresentaram recentemente algum problema de saúde mental segundo dados de pesquisa Datafolha do final de 2022. A maioria desses jovens sofreu com pensamentos negativos (66%), dificuldade de concentração (58%) e crise de ansiedade (53%).